"Fluxo de caixa" é o termo que todo mundo usa e quase ninguém pequeno faz. A planilha de fluxo de caixa projetado, com entradas e saídas previstas semana a semana, é bonita no curso e morre na segunda semana de uso. Porque a empresa pequena não tem previsão; tem extrato.
A boa notícia é que a pergunta por trás do fluxo de caixa é uma só: vai faltar dinheiro? E ela dá para responder com o que você já tem.
Fôlego do caixa: a conta
Fôlego é por quantos meses a empresa aguenta no ritmo de hoje. A conta tem três números, todos do extrato:
- Quanto tem na conta hoje (o saldo, mais o caixa em dinheiro, se tiver).
- Quanto sobra ou falta por mês, na média dos últimos três meses: entrou de clientes menos o que saiu para a operação.
- Se falta: divida o saldo pelo que falta por mês. Esse é o fôlego. Se sobra: o fôlego é "não vai faltar", desde que continue sobrando.
Por que três meses, e não um
Um mês engana. Cliente que pagou duas notas de uma vez, fornecedor que cobrou adiantado, 13º, férias. Três meses mostram o padrão e, principalmente, mostram o pior mês. Se o pior mês dos últimos três faltou R$ 9 mil, é com esse número que você planeja, não com a média.
Sinais de que vai apertar (antes de apertar)
- Receita concentrada: dois clientes são mais da metade do que entra. Se um atrasa, o mês vira.
- Você paga antes de receber: fornecedor à vista, cliente a 30 dias. O buraco está no meio.
- Tarifas e juros subindo: cheque especial, rotativo do cartão, juros de boleto atrasado. É o dinheiro saindo por um cano que não é da operação.
- Assinaturas acumulando: cada software, cada plano, R$ 89 aqui, R$ 149 ali. Sozinhos são pequenos; juntos, no mês ruim, são o que faltou.
- Um cliente que pagava todo mês sumiu: e ninguém notou porque o total ainda parecia normal.
O que fazer quando o fôlego é curto
Em ordem de rapidez, do que resolve esta semana para o que resolve no trimestre:
- Cobrar quem sumiu. Dinheiro que já é seu e está na mão de outro. Uma mensagem resolve metade dos casos.
- Cortar o que se repete sem uso. Lista de tudo que sai todo mês; cada item responde "ainda uso?".
- Renegociar tarifa e juros. Pacote do banco, juros de boleto: uma ligação costuma baixar.
- Segurar o gasto fora da curva. Aquela compra grande que estava marcada para o mês que vem.
- Mexer no prazo. Receber mais cedo (desconto para pagamento à vista) ou pagar mais tarde (prazo com fornecedor).
Como a Deberi responde "vai faltar?"
A partir dos extratos, ela calcula o que sobra ou falta por mês, acha o pior mês, mede o fôlego e escreve a resposta em uma frase: "Sobrou nos últimos 4 meses, mas a conta hoje tem só R$ 4 mil, o que não cobre um mês de saídas. O pior mês foi junho." Junto vêm os alertas (cliente que sumiu, tarifa que dobrou) e as ações da semana, com o valor que cada uma economiza.
E quando o mês vira, você manda o extrato novo e a resposta se atualiza. É o fluxo de caixa que a empresa pequena consegue manter: nenhum, porque alguém faz por ela.